Segundo o Relatório Nacional sobre a Demências no Brasil, aproximadamente 2,71 milhões de brasileiros vivendo com demência em 2019, sendo que apenas 20% desses casos são devidamente diagnosticados. A projeção é que sejam mais de 150 milhões de pessoas até 2050.
O Setembro Lilás surge justamente para quebrar a desinformação sobre essas condições, sendo esse mês designado para a campanha de conscientização sobre essas condições. Já o dia 21 de setembro é reconhecido como o Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer.
Ainda hoje, muitas pessoas acreditam que alterações cognitivas fazem parte natural da terceira idade. No entanto, essa crença atrasa o diagnóstico e o processo de busca por ajuda médica. E o diagnóstico precoce faz toda a diferença no combate e estruturação do tratamento das demências.
O que é o Setembro Lilás?
O Setembro Lilás é o mês da campanha de conscientização sobre demências, como a doença de Alzheimer, a forma mais comum representando 70% dos diagnósticos mundiais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A iniciativa tem como objetivo combater a desinformação e o silêncio com a respeito das doenças neurodegenerativas. Assim como, incentivar a procura por acompanhamento especializado e os diagnósticos precoces.
No Brasil, o Projeto de Lei nº 4364/2020 instituiu o dia 21 de setembro como Dia Nacional da Conscientização da Doença de Alzheimer e outras demências.
Em 2026, a campanha têm o tema de “Alzheimer: o diagnóstico importa”, focada no enfrentamento ao preconceito e a desinformação acerca da doença. Especialistas atribuem a esses fatores, bem como a falta de treinamento dos profissionais de saúde, as causas da subnotificação das condições.
O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de condições neurodegenerativas, sendo fatal e caracteriza-se pela deteriorização cognitiva, alterações neuropsicológicas e comportamentais. Dentro do mecanismo de ação da doença está a perda progressiva de neurônios que causam interferência no funcionamento de estrutras cerebrais como hipocampo e o córtex cerebral.
A progressão da doença é lenta e não é possível evitar seu avanço, sendo dividida por quatro estágios. A partir do diagnóstico, a média de sobrevida das pessoas é de até 10 anos.
A causa ainda é desconhecida, mas a literatura indica associações com a hereditariedade. A perda de memória é o sintoma mais característico da doenças, enquanto irritabilidade e falhas na linguagem aparecem em quadros mais avançados.
Quais sinais podem indicar que algo não está bem?
Alguns dos sinais que podem indicar a presença de doenças neurodegenerativas, no entanto, é preciso lembrar que o diagnóstico de Alzheimer é complexo e envolve uma série de exames físicos e neurológicos para identificar déficits de memória, linguagem e percepção temporal.
Alguns dos sintomas mais comuns são:
- Esquecimento para eventos recentes: esquecer acontecimentos, informações, compromissos ou conversas recentes de forma frequente e que causem prejuízo na rotina. Lembrando que esquecimentos eventuais são comuns e não indicam automaticamente a progressão de Alzheimer.
- Tendência a repetir as mesmas perguntas: realizar as mesmas perguntas, mesmo depois de receber respostas podem ser sinais de falta de memória para eventos recentes.
- Dificuldade em realizar tarefas conhecidas: problemas para desempenhar habilidades como cozinhar, dirigir, pagar as contas, entre outros.
- Dificuldade de se localizar no tempo e espaço: problemas para encontrar caminhos conhecidos ou confusão em relação a sua localização e a lugares conhecidos.
- Dificuldades para encontrar palavras: esquecer nomes, interromper frases ou ter problemas em achar palavras para descrever ideias ou experiências pessoais.
- Dificuldades de raciocínio: problemas para acompanhar conversas ou pensamentos abstratos, dificuldades em montar estratégias para resolver problemas, organizar tarefas, etc.
- Alterações emocionais: sinais de irritabilidade, apatia, desconfiança injustificada, ansiedade, passividade, tendência ao isolamento, etc.
Por que o diagnóstico precoce é importante?

O diagnóstico precoce não possibilita interromper o curso da doença, porém permite um tratamento em tempo oportuno, assim desempenhando um papel crucial para a estabilização ou retardo da progressão da doença.
A identificação precoce da condição também permite promover o alívio dos sintomas e fazer uma orientação prévia aos familiares sobre cuidados e curso de tratamento e reabilitação.
Alzheimer afeta apenas a pessoa diagnosticada?
Ainda segundo o relatório do Ministério da Saúde, não é possível pensar as necessidades de cuidado das pessoas com Alzheimer, sem avaliar o perfil e necessidades de seus cuidadores.
Os dados indicam que eles costumam ter relação familiar com os pacientes, sem vínculo empregatício. Nesse sentido, acarreta impactos significativos na vida pessoal desses cuidadores. Esse impacto se reflete na prevalência de sinais de sobrecarga e sintomas de ansiedade e depressão, que respectivamente representam 65,7% e 71,4%.
Setembro Lilás e o combate ao preconceito
A campanha do Setembro Lilás de 2026 tem o foco em quebrar estigmas e combater a desinformação sobre a doença de Alzheimer e outras demências, que podem atrasar a procura por diagnóstico.
Segundo levantamento do Data Folha de 2026, o Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros atrás apenas do câncer. No entanto, apenas 4% reconhecem a importância do diagnóstico precoce. E essa percepção é prevalente em mais da metade dos profissionais de saúde.
O mito de que a deteriorização cognitiva e da memória é o curso natural do processo de envelhecimento afeta nas decisões que precisam ser tomadas após o diagnóstico e impactam diretamente a qualidade de vida posterior.
O diagnóstico precoce preserva a autonomia dos pacientes e prepara melhor as famílias para organização financeira e busca por suporte emocional. Qualidade de vida também acontece em como se escolhe viver.

