O Instituto de Desenvolvimento Nossa Senhora de Fátima (IDNSF), mantenedor do IMEI Academy, apresentou, na última semana, à Secretaria Municipal da Mulher de Aracaju o projeto Guardiãs do Mangue, iniciativa voltada ao fortalecimento de marisqueiras do povoado Robalo, na zona de expansão da capital sergipana. A proposta tem como foco ampliar o acesso das trabalhadoras a ações de saúde, segurança ocupacional, qualificação e geração de renda.
O trabalho das marisqueiras vai além da coleta de alimentos no manguezal. A atividade envolve conhecimentos tradicionais, sustenta famílias e integra a relação de comunidades costeiras com o território. Em Aracaju, porém, essas trabalhadoras enfrentam desafios relacionados às condições de trabalho, à comercialização dos produtos e à pressão sobre as áreas naturais das quais dependem para obter renda.
O projeto foi planejado para ser executado durante 12 meses e atender diretamente 50 marisqueiras tradicionais e suas famílias. A iniciativa prevê atuação na região da Bacia Estuarina do Rio Vaza-Barris e conta, na proposta, com a participação técnica de instituições como Embrapa Alimentos e Territórios, Instituto Federal de Sergipe (IFS), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Sebrae Sergipe.
Projeto prevê ações de saúde para marisqueiras
Um dos principais eixos do projeto é a saúde ocupacional. Segundo o diagnóstico apresentado pelo IDNSF, as marisqueiras estão expostas a riscos relacionados à atividade desenvolvida no mangue, incluindo problemas dermatológicos e musculoesqueléticos.
A proposta prevê a distribuição de kits de equipamentos de proteção individual (EPIs), com itens como botas de borracha, luvas contra cortes, camisas com proteção UV e protetor solar. Também estão previstas oficinas de ergonomia para orientar as trabalhadoras sobre formas mais seguras de realizar as atividades no mangue.
A intenção é reduzir a exposição a riscos durante a coleta dos mariscos e contribuir para a prevenção de doenças relacionadas ao trabalho.
Trabalho no mangue reúne riscos à saúde e desafios econômicos
A coleta de sururu, aratu e caranguejo exige contato direto com o ambiente do manguezal e expõe as trabalhadoras a condições que podem comprometer a saúde. O diagnóstico apresentado pelo IDNSF aponta riscos dermatológicos e musculoesqueléticos, além da falta de equipamentos adequados de proteção para o exercício da atividade.
Outro desafio está na comercialização. A dependência de intermediários pode limitar a autonomia das marisqueiras na negociação dos preços e na obtenção de renda. Somam-se a isso a pressão da urbanização e da especulação imobiliária sobre as áreas de manguezal, que reforçam a importância da preservação do território para a continuidade do trabalho tradicional.
Diante desse cenário, o Guardiãs do Mangue propõe ações que combinam proteção à saúde, valorização do conhecimento das trabalhadoras e fortalecimento da organização comunitária.
Na área de saúde ocupacional, estão previstas a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas de borracha, luvas contra cortes, camisas com proteção UV e protetor solar, além de oficinas de ergonomia. A intenção é orientar as marisqueiras sobre práticas mais seguras durante a coleta e contribuir para a prevenção de doenças relacionadas ao trabalho.
Beneficiamento de mariscos também está entre as propostas
As condições de processamento e conservação dos mariscos também integram os desafios identificados na proposta. A falta de infraestrutura adequada pode comprometer a higiene dos alimentos e dificultar a agregação de valor aos produtos comercializados pelas trabalhadoras.
Para enfrentar esse problema, o projeto prevê a adequação sanitária da cozinha comunitária e a implantação de uma tecnologia sustentável de depuração de moluscos, em parceria com a Embrapa Alimentos e Territórios.

A proposta também contempla orientações sobre higiene e conservação dos alimentos, formação de preços e gestão financeira. O objetivo é ampliar as possibilidades de comercialização e contribuir para que as marisqueiras tenham melhores condições de administrar a produção e negociar seus produtos.
A gastronomia aparece como outra possibilidade de valorização dos saberes tradicionais. Ao relacionar os alimentos extraídos do mangue à culinária local, a iniciativa pretende aproximar a produção das marisqueiras de experiências que também envolvam cultura, memória e turismo.
Turismo de base comunitária é estratégia para geração de renda
O projeto também pretende utilizar o Turismo de Base Comunitária (TBC) como alternativa de geração de renda e valorização da cultura das marisqueiras.
Entre as ações previstas estão a criação do roteiro “Do Mangue à Mesa”, a estruturação de um Ponto de Memória, a sinalização de trilhas e o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao turismo de base comunitária e ao mapeamento da região estuarina.
A proposta estabelece como meta capacitar 20 marisqueiras e jovens para atuação no turismo, com formação prevista em parceria com o IFS e o Sebrae.
De acordo com o projeto, a expectativa é que as atividades de TBC contribuam para um aumento de 25% a 40% na renda complementar das famílias participantes. Esse percentual, no entanto, aparece como meta do projeto e deverá ser verificado durante a execução da iniciativa.
Projeto também prevê apoio técnico e formação
Além das ações diretamente voltadas às marisqueiras, o Guardiãs do Mangue prevê uma equipe multidisciplinar para acompanhar a execução das atividades. O projeto inclui assessorias nas áreas ambiental e jurídica, consultoria técnica e intercâmbios para troca de experiências.
Também estão previstas cinco bolsas para estudantes de Arquitetura, que deverão participar de pesquisas e projetos relacionados à adequação dos espaços comunitários utilizados pelas marisqueiras.
A gestão do projeto deverá contar ainda com a participação de marisqueiras líderes na coordenação comunitária, além de atividades de supervisão e monitoramento dos resultados.
Proposta busca preservar o manguezal e fortalecer a comunidade
A proposta parte do entendimento de que as condições de vida e de trabalho das marisqueiras estão diretamente relacionadas à conservação do manguezal. O ambiente sustenta a coleta de espécies utilizadas na alimentação e na geração de renda, além de concentrar conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.
O diagnóstico apresentado pela instituição aponta desafios como a pressão imobiliária sobre áreas de manguezal e a dependência de intermediários na comercialização dos pescados. Nesse contexto, a proposta busca combinar geração de renda, qualificação, melhoria das condições de trabalho e preservação do território.
Entre os indicadores previstos estão a redução das queixas relacionadas a doenças ocupacionais, a adequação da estrutura comunitária de beneficiamento, a formação de novas condutoras de turismo e a implantação de uma plataforma digital de turismo e mapeamento.
