O envelhecimento com saúde e qualidade de vida é o desejo da maioria das pessoas. No entanto, a perspectiva da longevidade também desperta preocupações, principalmente quanto à saúde física, à autonomia e à lucidez, conforme revela uma pesquisa recente.
O levantamento foi realizado pela empresa Vhita, especializada em suplementos e vitaminas para pessoas com mais de 60 anos. A amostra contou com entrevistas feitas com 500 adultos de diferentes faixas etárias. Aos participantes foram feitas perguntas sobre o que entendem por envelhecimento saudável e quais medos associam à passagem do tempo. O estudo apresentou índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
Além de mapear os receios, a pesquisa revelou um dado positivo: cinco em cada dez entrevistados já vêm adotando novos hábitos de autocuidado para chegar à terceira idade com mais saúde, energia e disposição. Ao mesmo tempo, uma maioria discreta 58% dos participantes afirmou considerar o envelhecimento algo natural e positivo.
Segundo o neuropsicólogo Bruno Leonel, da Inself Neuropsicologia Avançada, é fundamental transformar a forma como se fala sobre a velhice:
“Mudar a forma como falamos sobre a velhice também faz diferença para construir uma imagem mais positiva. Quando mostramos que os idosos podem ser ativos, criativos, divertidos, amorosos e inspiradores, mudamos o imaginário coletivo. E, mais importante: ajudamos quem já chegou lá a se reconhecer com orgulho”, orienta.
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1. Limitações físicas
O principal temor relatado foi o das limitações físicas e das dores, mencionado por 71% dos entrevistados. Esse receio está relacionado à possibilidade de perder a capacidade de realizar atividades do dia a dia, além de refletir o medo do desgaste natural do corpo com o passar dos anos.
2. Perda de memória
Em segundo lugar, a perda de memória preocupa 66% dos participantes. A ideia de ter a cognição comprometida e de enfrentar dificuldades em manter a lucidez mental causa forte apreensão, impactando diretamente a percepção de qualidade de vida na velhice.
3. Falta de autonomia
A falta de autonomia aparece como o terceiro maior medo, citado por 58% das pessoas. Para muitos, a perspectiva de não conseguir tomar as próprias decisões ou depender de terceiros para realizar tarefas básicas é motivo de angústia.
4. Depender de outros
Outro receio significativo é o de se tornar um fardo para familiares ou amigos. Com 48% das menções, esse medo evidencia o desejo de independência e o incômodo diante da possibilidade de causar preocupações a entes queridos.
5. Dificuldade em manter hábitos saudáveis
Por fim, 35% dos entrevistados afirmaram temer a dificuldade em manter hábitos saudáveis ao longo da vida. Esse dado sugere que há uma consciência sobre a importância de manter um estilo de vida equilibrado, mas também revela a preocupação com a capacidade de sustentar essas práticas diante das limitações que podem surgir com a idade.
Uma visão positiva do envelhecimento
Apesar das preocupações, a pesquisa evidencia que boa parte da população já enxerga o envelhecimento de maneira mais otimista. Para 58% dos entrevistados, trata-se de um processo natural e que pode ser vivido de forma positiva. Essa mudança de percepção está alinhada ao fortalecimento de práticas de autocuidado e à adoção de novos hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada e medidas de prevenção.
O papel do conhecimento e da educação sênior
Nesse contexto, a educação contínua, a inclusão social e o acesso à informação têm papel fundamental para reduzir os medos relacionados à velhice. A promoção de um envelhecimento ativo e saudável, como defende o Instituto de Medicina do Envelhecimento (IMEI), contribui não apenas para melhorar a qualidade de vida, mas também para ressignificar a imagem da velhice na sociedade.
Assim, embora os brasileiros ainda manifestem medos relacionados à saúde e à autonomia, é possível observar uma transformação em andamento. Cada vez mais pessoas adotam novas práticas para envelhecer bem, enquanto especialistas reforçam a importância de valorizar essa etapa da vida.
