O direito à educação ao longo da vida ganha novas dimensões em um país que envelhece de forma acelerada. Esse foi o tema do mais recente episódio do podcast Saber Sênior: Trajetórias, que trouxe para o centro da conversa a importância da educação jurídica na longevidade como ferramenta de empoderamento e cidadania para pessoas com mais de 60 anos.
Com apresentação do jornalista Sérgio Cursino e a presença do advogado e professor Márcio César Fontes, o episódio discutiu a proposta inovadora do curso de Direito do IMEI, a primeira graduação jurídica do Brasil dedicada exclusivamente ao público sênior.
Educação continuada no envelhecimento ativo
Durante a conversa, Márcio e Sérgio analisaram o crescimento da população idosa no Brasil e os desafios enfrentados por essa geração na garantia de seus direitos. Dados do IBGE apontam que, entre 2000 e 2023, o percentual de pessoas com 60 anos ou mais no país saltou de 8,7% para 15,6%. Com esse aumento, também cresce a demanda por espaços de formação acessíveis e inclusivos.
Para o professor Márcio César Fontes, o conhecimento jurídico é uma poderosa ferramenta de proteção e autonomia na velhice. “Muitos direitos da pessoa idosa ainda são desrespeitados, e a formação jurídica possibilita que esse público compreenda, reivindique e exerça sua cidadania com mais segurança”, destacou.
Fontes também ressaltou que o estudo do Direito para o público 60+ é visto como uma oportunidade para vislumbrar “um mundo novo” e adquirir “um grande conhecimento sobre ele mesmo e sobre todos os direitos que possui”. Além de manter-se atualizado, o estudante sênior ativa o cérebro e exercita o raciocínio lógico, elementos essenciais para um envelhecimento saudável. “Movimentar o cérebro com algo novo e desafiador contribui para manter a saúde mental e a autonomia”, explicou.
IMEI: pioneirismo, acolhimento e inclusão no ensino superior
O episódio destacou o papel social do IMEI, que criou o primeiro curso de Direito do país com foco exclusivo na população sênior. Mais do que garantir acesso ao ensino superior, a proposta busca combater preconceitos e romper barreiras históricas. “Para combater o preconceito e o desrespeito contra o idoso, um dos grandes objetivos da IMEI Academy é empoderar essa pessoa. A lei garante prioridades e prerrogativas ao idoso por respeito a tudo que ele produziu. E o conhecimento desses direitos permite que ele não aceite o preconceito e exerça sua cidadania plena”, ressaltou Fontes.
O diferencial da instituição está em seu ambiente acolhedor, pensado nos mínimos detalhes para o bem-estar e o desempenho do aluno sênior. As salas de aula contam com cadeiras ergonômicas, multitelas, luminotecnia adequada, banheiros adaptados e isolamento acústico. Além disso, o corpo docente e a equipe pedagógica foram preparados para atuar com essa faixa etária, valorizando a experiência de vida que cada estudante traz consigo.
A metodologia do curso também foi cuidadosamente planejada. A organização curricular é trimestral, com três disciplinas por ciclo, evitando sobrecarga e facilitando o acompanhamento. Aulas ocorrem às terças, quartas e quintas à tarde, respeitando o ritmo dos estudantes. Não há aulas à noite. “O curso foi pensado, formatado para esse público. O nosso objetivo é que a pessoa idosa se sinta em casa, construa novas amizades e, ao mesmo tempo, mantenha a mente ativa com desafios estimulantes”, afirmou o coordenador.
Entre os projetos de destaque está o Projeto Integrador de Vida (PIV), que leva os alunos a desenvolverem ações voltadas para as comunidades, palestras sobre envelhecimento e propostas de projetos de lei. A proposta permite a integração entre conhecimento acadêmico e atuação social, além de proporcionar que os estudantes compartilhem suas vivências e aprendam com o ambiente em que vivem.
Educação e longevidade como compromisso social
Durante o episódio, o professor Márcio Fontes também reforçou que o curso não apenas capacita, mas transforma. “O Direito é fascinante porque permeia toda a sociedade e regula o convívio social. O aluno 60+ pode, ao concluir o curso, prestar a OAB, tornar-se advogado, prestar concurso público. Não existe limite de idade para exercer a profissão”, afirmou.
A criação do curso de Direito do IMEI surgiu justamente do reconhecimento dessa nova realidade demográfica. “O Brasil está envelhecendo e precisa se preparar. Somos pioneiros porque entendemos que a educação continuada é um direito, e garantir esse direito com dignidade é um dever de todos nós”, concluiu Fontes.
Disponível nas principais plataformas
O episódio Educação Jurídica como Instrumento de Transformação na Longevidade está disponível no YouTube e no Spotify, integrando a série Saber Sênior: Trajetórias, produzida pela Rede Geronto em parceria com o IMEI. O podcast discute temas ligados ao envelhecimento ativo e suas múltiplas dimensões, sempre com convidados especialistas e referências em suas áreas.
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