As fases invisíveis do envelhecimento e como enfrentá-las com consciência

Compartilhar:

O envelhecimento não acontece de uma hora para outra, mas se revela em pequenos sinais físicos, emocionais e sociais que, pouco a pouco, transformam a relação que a pessoa constrói consigo e com o mundo. Essas mudanças fazem parte das fases invisíveis do envelhecimento, momentos sutis e profundos que muitas vezes passam despercebidos. E quando ganham a escuta de profissionais que transitam entre a psicanálise, a educação e a comunicação, o debate se torna ainda mais necessário.

No episódio mais recente do Podcast Saber Sênior: Trajetórias, produzido pela Rede Geronto em parceria com o Instituto Mariano de Estudos e Inovação (IMEI), a conversa girou em torno de um tema delicado e profundo: como lidar com as transições da maturidade. 

Participaram do episódio o apresentador Sérgio Cursino e a psicanalista Renata Bittencourt, especialista em subjetividade e envelhecimento.

Quando a vida muda de ritmo

A conversa começou com uma provocação que atravessa muitos homens e mulheres a partir dos 50, 60 anos: a percepção de que algo interno muda, mesmo sem saber nomear o que é. 

Renata explicou que esse momento, que a psicanálise chama de envelhescência, marca uma transição subjetiva poderosa. Segundo ela, esse período envolve mais do que mudanças físicas, pois toca diretamente no desejo, na identidade e no lugar social de quem envelhece.

Sérgio, que já acompanhou histórias de diferentes gerações em sua trajetória na comunicação, reforçou a importância de dar nome a essas sensações. Ele lembrou que muitas pessoas enfrentam o envelhecimento solitariamente, sem espaços onde possam refletir sobre essas transformações de forma aberta e sem julgamentos.

Invisibilidade social e o impacto na autoestima

Outro ponto que ganhou destaque no episódio foi o sentimento de invisibilidade social. Renata relatou como o afastamento dos espaços de decisão e de protagonismo afeta a autoestima e as relações pessoais de quem envelhece. 

Em sua visão, a psicanálise pode ajudar a resgatar esse lugar de fala, permitindo que o sujeito não apenas reconheça o que sente, mas também ocupe novas posições diante da vida.

Educação, saber sênior e a construção de sentido

Com ampla experiência na área educacional, Renata Bittencourt também falou sobre o valor de voltar a estudar na maturidade. Ela destacou que buscar conhecimento nesse período não serve apenas para aprender conteúdos, mas principalmente para fortalecer a autoestima e o sentido de pertencimento. 

Em sua opinião, o saber sênior é um poderoso ato de resistência contra a cultura da juventude e da produtividade.

Um convite ao envelhecimento consciente

Ao longo da conversa, ficou evidente que envelhecer com autenticidade exige coragem para questionar padrões e disposição para ressignificar experiências. Sérgio Cursino encerrou o episódio destacando a importância de reconhecer as fases invisíveis do envelhecimento e enxergar a maturidade não como um ponto final, mas como um espaço possível de transformação, potência e reconexão com os próprios desejos.

O Podcast Saber Sênior: Trajetórias reafirma, mais uma vez, sua proposta de abrir espaço para vozes que refletem sobre o envelhecimento de forma honesta e sensível. Conversas como essa ajudam a naturalizar o processo e a reconstruí-lo como tempo de aprendizado, afeto e protagonismo.

O episódio completo “Como lidar com as transições da maturidade?” está disponível no canal do IMEI Academy no YouTube e no Spotify. Para acompanhar as próximas edições, basta seguir os perfis @imeiacademy e @redegeronto no Instagram.

Ouça nosso Podcast – Saber Sênior: Trajetórias