Antes de chegar ao paciente, o cuidado do paciente passa pela gestão, do planejamento ao trabalho de quem está na ponta. É com essa lógica que desde 2020, a Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP/SE) vem atuando no estado, qualificando não apenas profissionais assistenciais, mas também gestores, coordenadores, apoiadores institucionais e equipes responsáveis pela tomada de decisão nos 75 municípios sergipanos.

Criada pela Lei nº 8.733 de 2020, a Escola de Saúde Pública nasce com o objetivo de fortalecer a Política de Educação Permanente em Saúde, integrando ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica para qualificar e valorizar os trabalhadores do SUS. Seu foco é apoiar tanto o cuidado direto quanto a gestão das redes municipais e estaduais, contribuindo para tomadas de decisão mais eficientes e para a melhoria dos indicadores de saúde.
Vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES) por meio da Fundação Estadual de Saúde (FUNESA), a ESP/SE opera como um instrumento de gestão pública, responsável por traduzir diretrizes do Ministério da Saúde, apoiar municípios com baixa capacidade técnica e fortalecer a governança do SUS. Atua como um “sistema nervoso” da saúde estadual: conecta Brasília ao território e transforma política em ação.
Da qualificação à governança: como a Escola estrutura a gestão pública em saúde
A atuação da ESP/SE se organiza em quatro eixos que funcionam como ferramentas de fortalecimento da capacidade estatal.
1. Programa de Educação Permanente em Saúde (PEEPS)
É o maior braço da instituição e um dos mais estratégicos para a gestão de recursos humanos do SUS em Sergipe. O programa oferece cursos, oficinas e seminários contínuos que atualizam e padronizam a atuação das equipes de Atenção Primária.
Temas como manejo de doenças crônicas, acolhimento, vigilância, saúde mental e comunicação não são apenas conteúdos clínicos, são componentes essenciais para qualificar processos, melhorar fluxos e reduzir desigualdades regionais.
Para gestores, isso representa um ganho direto: equipes mais preparadas, protocolos alinhados e melhoria na capacidade de resposta municipal.
2. Formação técnica de nível médio
A formação técnica oferecida pela ESP/SE não atende apenas uma demanda educacional: ela resolve gargalos de gestão. Ao qualificar agentes e profissionais que atuam nos territórios, a Escola fortalece a base operacional da rede pública.
Em muitos municípios pequenos, essa oferta é a única porta de entrada para formação formal — e garante continuidade, padronização e melhor uso de recursos públicos.
3. Produção científica
A pesquisa produzida na Escola, divulgada pela Revista Sergipana de Saúde Pública (RSSP), não é apenas acadêmica: ela subsidia decisões de gestão. São estudos sobre vigilância, educação permanente, processos de trabalho e indicadores que ajudam municípios a planejar, monitorar e avaliar políticas.
Durante a pandemia, por exemplo, a ESP/SE participou de mostras científicas nacionais, contribuindo para debates sobre gestão do trabalho, rede de atenção e respostas emergenciais.
4. Inovação e fortalecimento do SUS
A Escola também apoia gestores na execução de políticas federais e estaduais, ampliando a capacidade local de planejamento, avaliação e organização do cuidado. Esse suporte contribui para que municípios consigam:
- estruturar suas equipes,
- elaborar planos de ação,
- cumprir metas,
- acessar recursos federais,
- e manter padrões de qualidade na Atenção Primária e nas redes de cuidado.
A Escola de Saúde Pública como elo federativo
O papel da Escola vai além da capacitação. Ela funciona como um mecanismo de coordenação federativa, integrando as diretrizes nacionais à realidade dos 75 municípios sergipanos. De um lado, recebe as políticas do Ministério da Saúde; de outro, fortalece a capacidade dos municípios, especialmente os de menor porte, de implementar, executar e sustentar essas políticas no território. Em um estado marcado por desigualdades regionais, essa atuação torna-se determinante: significa colocar equidade em prática.
