No dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, reforça a importância de proteger nossos idosos, é um lembrete de que a violência contra pessoas com 60 anos ou mais é uma realidade ainda invisibilizada, e que precisa ser enfrentada com informação, atitude e respeito.
Se você convive com idosos, trabalha na área da saúde ou simplesmente se importa com o tema, este conteúdo é para você. Entenda os tipos de violência mais comuns, como identificar os sinais e, principalmente, como denunciar e ajudar.
Os números da violência contra a pessoa idosa no Brasil
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), o Brasil vem registrando números preocupantes em relação aos casos de violência contra a população idosa:
- De 2020 a 2023, foram mais de 408 mil denúncias de violência contra idosos.
- Em 2023, 35,1% das denúncias ocorreram só naquele ano, o maior índice desde o início da série histórica.
- Entre janeiro e março de 2024, já foram 42.995 registros, um crescimento em relação ao mesmo período de 2023.
- As mulheres são as principais vítimas, correspondendo a cerca de 70% dos casos.
- Em sua maioria, as agressões acontecem dentro de casa, cometidas por familiares ou cuidadores.
Os principais tipos de violência contra idosos
A violência contra a pessoa idosa pode acontecer de diferentes formas — e muitas vezes, de maneira silenciosa. Veja quais são as mais comuns:
- Negligência e abandono: quando o idoso não recebe cuidados básicos, como alimentação, higiene, medicação e acompanhamento médico.
- Violência psicológica: ofensas, humilhações, ameaças, intimidação ou isolamento social.
- Violência física: agressões, empurrões, tapas, ferimentos e outras formas de dano corporal.
- Violência patrimonial/financeira: uso indevido de cartões, documentos e bens, fraudes e empréstimos não autorizados.
- Violência sexual: abuso ou assédio sem consentimento.
- Discriminação etária (idadismo): atitudes e falas preconceituosas por conta da idade, que desvalorizam ou inferiorizam o idoso.
Como identificar os sinais de violência
Ficar atento a sinais físicos, emocionais e financeiros é essencial para proteger idosos em situação de risco. Veja alguns sinais de alerta:
Físicos: hematomas frequentes, desnutrição, feridas sem explicação, má higiene.
Emocionais: isolamento, depressão, medo excessivo, mudança repentina de comportamento.
Financeiros: movimentações suspeitas na conta bancária, cartões desaparecidos, dívidas inesperadas.
No ambiente: cuidador ou familiar excessivamente controlador, resistência em deixar o idoso sozinho com outras pessoas ou em conversar sem supervisão.
Canais de denúncia e proteção
Se você presenciar, suspeitar ou for vítima de violência, é possível denunciar de forma anônima e gratuita pelos seguintes canais:
- Disque 100 (Disque Direitos Humanos): atendimento 24 horas por telefone, WhatsApp (61 99611-0100), Telegram e site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
- Delegacias de Polícia ou Delegacias Especializadas de Proteção ao Idoso.
- Ministério Público e Defensorias Públicas Estaduais.
- CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).
- Conselhos Municipais ou Estaduais da Pessoa Idosa.
Educação e informação: as armas mais eficazes
A prevenção começa pela informação. Campanhas como o Junho Violeta, mês de combate à violência contra a pessoa idosa, e o fortalecimento de políticas públicas são essenciais para sensibilizar a sociedade.
Além disso, a capacitação de profissionais da saúde, segurança pública, assistência social e familiares garante uma rede de proteção mais preparada. O empoderamento dos próprios idosos, conhecendo seus direitos e canais de apoio, também é fundamental.
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Se presenciar ou suspeitar de violência, não se cale. Denuncie.
