Analfabetismo entre idosos concentra maioria dos casos no Brasil

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De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação, divulgados pelo IBGE, o Brasil registrou 8,4 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais em 2025. Desse total, 4,9 milhões são idosos com 60 anos ou mais, o que mostra que o analfabetismo segue concentrado nessa parcela da população.

Em outras palavras, mais da metade dos brasileiros que não sabem ler nem escrever um bilhete simples está na faixa dos 60 anos ou mais.

Taxa entre idosos é bem superior à média nacional

Entre a população idosa, a taxa de analfabetismo chegou a 13,8% em 2025, percentual muito acima da média nacional, de 4,9%.

Quando a população com 60 anos ou mais é retirada da conta, a taxa de analfabetismo cai para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.

Desigualdades raciais e de gênero marcam o analfabetismo na velhice

A pesquisa também revela diferenças importantes dentro do próprio grupo de idosos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos foi de 20,6%, quase três vezes superior à observada entre brancos, de 7,3%.

No recorte por sexo, houve uma mudança inédita em 2025. Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas, de 13,7%, ficou ligeiramente abaixo da registrada entre homens idosos, de 14,1%. O resultado sugere avanço gradual na escolarização feminina ao longo das gerações.

A taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos foi quase três vezes superior à observada entre brancos. (Imagem: Reprodução)

Nordeste reúne maior concentração de analfabetos

A distribuição regional também ajuda a explicar o cenário. Mais da metade dos analfabetos do país, cerca de 4,8 milhões de pessoas, vive no Nordeste, região que apresentou taxa de analfabetismo de 10,6%, a mais alta do Brasil.

Em seguida aparecem o Norte, com 5,7%; o Centro-Oeste, com 3,3%; o Sul, com 2,4%; e o Sudeste, com 2,3%. Os números indicam que o analfabetismo entre idosos também está ligado a desigualdades históricas entre as regiões brasileiras.

O retrato de uma dívida histórica

Os números da PNAD Contínua Educação mostram que a queda da taxa nacional de analfabetismo é um avanço importante, mas insuficiente para esconder a permanência de desigualdades profundas.

Ao concentrar 58% dos casos, a população idosa se torna o retrato mais evidente dessa dívida educacional.