O Brasil está passando por uma transição silenciosa, mas profunda. Enquanto o número de idosos aumenta ano após ano, a quantidade de jovens segue em queda. Esse fenômeno, conhecido como transição demográfica, traz impactos diretos para a economia, o mercado de trabalho e as políticas públicas.
Segundo dados da pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população jovem brasileira, representada por pessoas de até 30 anos de idade, caiu de 49.9% para 41,4%, entre os anos de 2012 a 2025. Por outro lado, o número de idosos aumentou de 11.3% para 16,6% no mesmo período.
Além disso, o número de jovens de 0 a 13 anos diminuiu de 22,0% para 18,1%. Ao mesmo tempo, o recorte de jovens de 14 a 19 anos passou de 10,5% para 8,3%.
O que é transição demográfica?
A transição demográfica é um conjunto de mudanças que provocam esse fenômeno. Quedas nas taxas de natalidade e mortalidade e envelhecimento populacional potencializa esse processo, que atualmente encontra-se avançado no país.
Quais as causas desse processo?
Um dos principais motivos que levam a este cenário é a redução significativa na taxa de natalidade do país.
Anos a ano, as mulheres brasileiras estão tendo menos filhos, o que ocasionou, em 2023, no menor número de registros de nascimentos em quase 50 anos.
Nascem, portanto, menos brasileiros, o que diminui a base jovem da população.

Além disso, a crescente entrada da mulher no mercado de trabalho, os novos planejamentos financeiros e o aumento no custo de vida e na criação dos filhos ajudam a explicar essa queda.
Em busca de estabilidade financeira, muitas mulheres passaram a adiar a maternidade e a terem filhos mais tarde. A idade média passou de 25 para 27 anos, entre 2000 e 2020.
Mudanças nos padrões de consumo levam casais a optar por ter menos filhos ou, em alguns casos, nenhum.
Além disso, as estimativas de que o custo para criar um filho até os 18 anos pode ultrapassar os R$2 milhões torna a maternidade/paternidade um desafio de alto impacto financeiro.
Enquanto nascem menos pessoas, os brasileiros passaram a viver mais. Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida no país chegou aos 76,6 anos em 2024. Esse número expressivo tem relação direta com uma melhora no acesso à saúde, avanços em saneamento e vacinação e queda nas taxas de mortalidade infantil.
Impactos para o futuro
Ainda de acordo com o instituto, essa tendência deve continuar nos próximos anos, elevando a pressão sobre a previdência social, criando a necessidade de políticas públicas para idosos e gerando uma menor população economicamente ativa.

Os números preocupam os economistas que amargam uma perda de uma janela de oportunidade chamada de “bônus demográfico”, quando um país tem mais pessoas com idade economicamente ativa do que inativa, que poderia potencializar o crescimento econômico.
O envelhecimento da população brasileira, ao mesmo tempo em que representa avanços na como maior longevidade, exige um planejamento econômico governamental significativo.
