Idosa volta a estudar e se forma na faculdade aos 90 anos

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Aos 90 anos, a norte-americana Rita Victoria Hernandez concluiu a graduação na Mount San Jacinto College, na Califórnia. Ela integrou a turma de mais de 2 mil formandos e, segundo a instituição, tornou-se a aluna mais velha a receber um diploma em sua história, fortificando o papel da educação ao longo da vida.

Durante a pandemia de Covid-19, Hernandez atendeu ao incentivo da família e decidiu voltar a estudar para, como afirmou, “manter o cérebro vivo”. Mesmo enfrentando problemas de saúde e diversas dificuldades ao longo do caminho, ela perseverou e concluiu o curso de Artes na última quinta-feira, 22. A conquista ocorreu mais de sete décadas após a conclusão do Ensino Médio, segundo informou a própria faculdade.

Usando um andador, Hernandez cruzou o palco sorridente, cumprimentou os professores e recebeu o primeiro diploma acadêmico da vida. Em seguida, foi aplaudida de pé e abraçada por colegas e docentes. Em discurso emocionado, ela destacou o acolhimento recebido ao longo da trajetória. “Como alguém que nunca havia frequentado a faculdade, posso afirmar honestamente que o apoio que tive na MSJC foi inacreditável”, declarou.

“Tive a sorte de aprender com professores inspiradores e dedicados, cujo incentivo desempenhou um papel fundamental no meu sucesso”, afirmou.

Com 12 netos e sete bisnetos, Hernandez também inspirou a própria família a seguir os estudos, reforçando a educação ao longo da vida. Sua neta concluiu a graduação em 2022, enquanto a bisneta recebeu o diploma em 2024. Agora, o bisneto mais novo iniciará o curso no próximo outono, todos na mesma instituição frequentada por Rita.

Educação ao longo da vida como direito e oportunidade

O feito de Rita Victoria Hernandez transcende uma conquista pessoal e reafirma a importância da educação ao longo da vida, conceito defendido por organizações internacionais como a Unesco e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em relatório publicado em 2023, a OMS destacou que o acesso contínuo ao aprendizado, independentemente da faixa etária, está diretamente associado a melhores índices de saúde mental, integração social e qualidade de vida na velhice.

No Brasil, iniciativas semelhantes começam a ganhar força, como o Unati (Universidade Aberta da Terceira Idade) da UERJ e os programas de extensão universitária voltados para idosos, que oferecem desde oficinas de literatura até cursos de graduação simplificada. Especialistas apontam que o estímulo cognitivo e a socialização proporcionados pelo ambiente acadêmico são fatores decisivos para um envelhecimento digno e ativo.

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