Agropecuária em Sergipe cresce em 2025 e gestão eficiente vira desafio para produtores

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A agropecuária em Sergipe vive um momento de expansão em 2025, com aumento da produtividade e crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP), impulsionados principalmente pelas culturas de milho, laranja e pela pecuária leiteira. O avanço ocorre em diferentes regiões do estado, com destaque para municípios como Itabaiana e Lagarto, e reforça a posição sergipana como referência nacional em produtividade por hectare.

Apesar do desempenho positivo no campo, especialistas apontam que a falta de gestão ainda é um dos principais entraves para a sustentabilidade econômica das propriedades rurais.

Crescimento da agropecuária em Sergipe

Fonte: IBGE

O setor agrícola lidera o avanço. O milho se mantém como a principal cultura do estado, seguido pela cana-de-açúcar e pela laranja, que coloca Sergipe como o segundo maior produtor do Nordeste. A produção é marcada pelo uso crescente de técnicas de intensificação produtiva, com foco em aumentar o rendimento por área.

Na pecuária, a produção de leite ganha destaque, especialmente em municípios como Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo. O rebanho bovino também apresentou crescimento, atingindo cerca de 1,35 milhão de cabeças em 2024.

Outro indicador relevante é o desempenho nas exportações. Entre 2019 e 2025, o agronegócio sergipano registrou aumento de cerca de 300%, com destaque para o suco de laranja. O estado também ocupa posição relevante na carcinicultura, sendo o quarto maior produtor de camarão do país.

O Dr. Guilherme Vieira, especialista em gestão rural, explica alguns pontos cruciais para que se tenha uma boa gestão do seu negócio, e a seguir podemos ver algumas delas, o que serão também abordados durante o curso de Gestão Agropecuária que será realizado no IMEI.

Falta de gestão limita resultados no campo

Mesmo com indicadores positivos, a realidade de muitas propriedades ainda é marcada pela ausência de controle gerencial. Segundo Guilherme o principal problema começa na falta de dados.

Sem registrar indicadores técnicos como produtividade e metas e econômicos como custos e rentabilidade, o produtor não consegue avaliar o desempenho da fazenda nem tomar decisões com segurança. Na prática, isso significa operar sem clareza sobre lucro, prejuízo ou eficiência produtiva.

A dificuldade em definir metas também compromete o crescimento. Sem objetivos claros, não há planejamento estruturado, o que impede a evolução do negócio rural.

Índices técnicos e econômicos são base da gestão

Segundo Dr. Guilherme “Os índices técnicos são os números que mostram o que a fazenda produz e com que eficiência. Por exemplo: se ele planeja produzir determinada quantidade de arrobas e, no fim do ciclo, atinge ou não essa meta, os dados vão mostrar isso. Já os índices econômicos revelam o impacto financeiro: custo de produção, margem, retorno do investimento. Sem acompanhar esses dois conjuntos de dados, o produtor não sabe se está avançando ou retrocedendo.”

A análise conjunta desses dados permite identificar se a propriedade está avançando ou acumulando prejuízos algo que muitos produtores ainda desconhecem.

Inventário da fazenda é o primeiro passo

O ponto de partida para a gestão rural é o “inventário completo da propriedade”. Isso inclui levantamento de máquinas, equipamentos, infraestrutura, áreas de cultivo e pastagem, além do histórico de investimentos, relata Guilherme.

Ele destaca que não basta listar os bens: é necessário avaliar o estado de cada item e o valor investido. Sem esse diagnóstico inicial, não há base para qualquer planejamento.

Outro elemento essencial é o conhecimento detalhado da área, com uso de ferramentas como mapa da propriedade e análise físico-química do solo práticas ainda pouco adotadas por parte dos produtores.

Cultura tradicional ainda influencia decisões

A ausência de gestão estruturada no campo está ligada, em grande parte, à cultura produtiva baseada na repetição de práticas familiares. Muitos produtores seguem modelos herdados sem adaptação às exigências atuais do mercado.

Esse comportamento é mais comum na pecuária, onde a atividade frequentemente é secundária. Nesses casos, a falta de controle financeiro pode mascarar prejuízos, já que receitas pontuais dão a impressão de rentabilidade.

Separação de contas e planejamento são essenciais

Um dos erros mais frequentes é a mistura entre finanças pessoais e da propriedade. A recomendação é manter contas separadas, garantindo maior controle sobre receitas, despesas e investimentos.

Após o inventário, o próximo passo é definir metas produtivas e elaborar um planejamento anual, incluindo orçamento e previsão de investimentos. A decisão de investir deve considerar o retorno esperado, comparando alternativas financeiras disponíveis no mercado.

Crédito rural depende de organização

O acesso ao crédito rural também está diretamente ligado à qualidade da gestão. Linhas de financiamento com juros reduzidos estão disponíveis, mas exigem projetos estruturados, com dados, planejamento e comprovação de viabilidade.

Sem essas informações, o produtor encontra dificuldades para obter recursos junto a instituições financeiras.

Gestão profissional ganha espaço no agro

Diante do crescimento da agropecuária em Sergipe, a profissionalização da gestão se torna cada vez mais necessária. A adoção de planejamento estratégico, controle financeiro e análise de indicadores é apontada como caminho para transformar propriedades rurais em negócios sustentáveis.

A tendência é que, com maior acesso à informação e capacitação, produtores passem a incorporar práticas de gestão, acompanhando o avanço tecnológico já observado na produção.