IMEI lança projeto para reduzir a exclusão digital e educacional de pessoas 50+ em Sergipe

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O Instituto Mariano de Estudos e Inovação (IMEI), em Aracaju, lançou o projeto “Letramento de Mundo 50+: Conectando Gerações na Era Digital”, uma iniciativa educacional de 24 semanas que busca promover o letramento integral e a inclusão digital de pessoas com 50 anos ou mais. O programa visa transformar vidas, valorizar a experiência dos participantes e combater a exclusão que atinge grande parte deste público no Brasil.

A iniciativa responde a uma urgência social, visto que apenas 30% da população brasileira possui habilidades digitais básicas, com uma taxa ainda menor entre os mais velhos. A crescente digitalização tem imposto desafios significativos, excluindo este público de serviços, informações e interações sociais essenciais.

Metodologia Inovadora e Foco em Autonomia

A metodologia do projeto é o seu diferencial, unindo a Teoria Freiriana com a Sala de Aula Invertida.

  • Pedagogia Freiriana: A alfabetização e o letramento partem da realidade e do universo vocabular dos alunos, com encontros dialógicos organizados em Círculos de Cultura. O conhecimento é construído de forma coletiva, e o educador atua como mediador.
  • Sala de Aula Invertida: O tempo presencial (2 horas semanais no IMEI) é otimizado com a prática digital guiada. Antes, os alunos recebem “Pílulas de Curiosidade” via WhatsApp, como vídeos curtos ou perguntas, para despertar o interesse no tema da semana.

O programa está dividido em três módulos temáticos e progressivos, totalizando 24 semanas:

  1. Módulo 1 (Semanas 1-8): “Eu, Meu Mundo e o Celular”: Foco em perder o medo da tecnologia, dominar funções básicas e usar a leitura e escrita para falar de si.
  2. Módulo 2 (Semanas 9-16): “Conectando com a Comunidade” Foco em usar a tecnologia para acessar informações e serviços de saúde, lazer e comunicação.
  3. Módulo 3 (Semanas 17-24): “Cidadania Digital e Projetos de Vida” Foco no uso seguro de ferramentas digitais, acesso a serviços públicos (como o portal Gov.br) e o desenvolvimento de um projeto final colaborativo.
Ana Plech, apresentando o projeto

Como umas das idealizadoras do projeto, Ana Plech relata que a ideia desse projeto surgiu da própria demanda da Casa de Sossego Vó Tereza, pois durante um encontro realizado no Imei, as próprias idosas, sinalizaram que não sabiam escrever e que elas não gostavam de ir nos locais e colocar digital.

Ana, ainda ressalta que o principal objetivo é diminuir o número de idosas excluídas da sociedade por conta da falta de conhecimento do uso digital. 

Afrânio Reis, diretor da Casa de Sossego Vó Tereza, nos contou que a iniciativa vai agregar muito na casa, e principalmente nas pessoas idosas, o que dará uma dignidade maior a essas pessoas que a Casa tanto ama. 

“Esse projeto vai dar uma oportunidade, vai trazer uma inclusão social para essas pessoas, e até mesmo oportunidades de trabalhos e evolução para todos os participantes. 

Selma, futura participante do projeto diz: “Espero tudo de bom, tenho certeza que vai ser ótimo, não só para mim, mas para todo mundo que participar e vai dar tudo certo.” 

Mulheres participantes da Casa de Sossego Vó Tereza

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Parceria e Recursos

O projeto é realizado em Aracaju/SE pelo IMEI, que oferecerá toda a estrutura e suporte técnico para implementação do projeto, além de estar à frente da coordenação geral, e pela contratação dos educadores.

Um dos parceiros desse projeto será a Casa de Sossego Vó Tereza, que estará com a tarefa de captar as alunas, apoiar com voluntários para auxílio das aulas, além de colaborar na divulgação.

O Instituto de Desenvolvimento Nossa Senhora de Fátima (IDNF) também entrou como parceiro que por meio de sua expertise em projetos sociais, vai articular com a comunidade dando suporte pedagógico e auxiliar na formação dos educadores e na avaliação do impacto do projeto.

A avaliação é humanizada, contínua e processual, sem provas ou notas. Os instrumentos incluem a observação participante, o “Caderno de Conquistas” e um projeto final na Semana 24, que é um momento de celebração e compartilhamento com a comunidade.

O projeto se apresenta como um convite para que os participantes se tornem protagonistas de suas próprias histórias, unindo a leitura crítica do mundo com o uso autônomo e seguro das novas tecnologias.