A agropecuária brasileira é reconhecida mundialmente pela sua capacidade produtiva. Ainda assim, muitos produtores enfrentam um paradoxo comum no campo: trabalham intensamente, produzem em volume, mas têm dificuldade de enxergar o lucro real da atividade.
Em grande parte dos casos, o problema não está na produção, mas na gestão. Falta de dados, desorganização administrativa e ausência de planejamento acabam impedindo que o produtor tenha clareza sobre custos, produtividade e rentabilidade da propriedade.
Especialistas em administração rural apontam que a profissionalização da gestão passa por três pilares fundamentais: planejamento, inventário e controle orçamentário.
“O Dr. Guilherme Vieira, médico-veterinário e ministrador do curso Gestão Agropecuária de Alta Performance, do IMEI Academy, explica que muitos dos problemas enfrentados nas propriedades começam pela ausência de dados confiáveis e de metas produtivas claras”, afirma o especialista.
Segundo ele, sem registrar índices técnicos e econômicos, como produtividade, custos e retorno financeiro, o produtor acaba tomando decisões baseadas apenas na experiência ou na intuição.
“Quando o produtor não mede nada, ele opera no escuro”, afirma.
Planejamento: evitar decisões baseadas no achismo
Entre os três pilares da gestão rural, o planejamento costuma ser o ponto onde surgem os primeiros erros.
Sem metas produtivas e objetivos claros, torna-se difícil avaliar se a propriedade está evoluindo ou se os resultados estão abaixo do esperado. Planejar significa estabelecer o que se deseja alcançar em determinado período e quais recursos serão necessários para isso.
Nesse processo, os chamados índices técnicos e econômicos têm papel central.
Os índices técnicos medem a eficiência produtiva da propriedade, como:
- arrobas produzidas por hectare
- taxa de prenhez do rebanho
- produtividade agrícola por área
Já os índices econômicos mostram o impacto financeiro da atividade, incluindo custos de produção, margem de lucro e retorno sobre investimento.
Quando esses dados são acompanhados de forma sistemática, o produtor passa a entender se a fazenda está atingindo suas metas ou se precisa ajustar o manejo, a estrutura ou os investimentos.
Sem planejamento, decisões importantes acabam sendo tomadas no improviso, muitas vezes com custos elevados.
Inventário: conhecer a fazenda de verdade
Se o planejamento define para onde a propriedade deve ir, o inventário revela de onde ela está partindo.
O inventário consiste no levantamento completo dos ativos da fazenda, incluindo:
- máquinas e equipamentos
- benfeitorias e estruturas
- tamanho das áreas produtivas
- número e características do rebanho
- estado de conservação dos bens
Segundo o Dr. Guilherme Vieira, essa é a primeira etapa para quem deseja iniciar um processo de gestão estruturada.
“Conhecer a fazenda vai além de andar por ela”, afirma.
Isso significa reunir informações detalhadas sobre o patrimônio da propriedade, como mapas da área, infraestrutura existente, análise do solo e histórico de investimentos.
Sem esse diagnóstico inicial, o produtor dificilmente consegue planejar expansão, avaliar investimentos ou medir o desempenho real da atividade.
Além disso, a ausência de inventário compromete o controle patrimonial e dificulta o acesso a crédito rural, já que bancos e instituições financeiras exigem dados concretos sobre a capacidade produtiva da propriedade.
Controle orçamentário: entender se a fazenda realmente dá lucro
O terceiro pilar da gestão rural é o controle orçamentário, frequentemente confundido com o simples registro de gastos.
Na prática, o orçamento vai além de anotar despesas. Ele envolve organizar todas as entradas e saídas financeiras da fazenda, permitindo compreender os custos reais da produção e as margens de lucro de cada atividade.
Entre os principais custos que precisam ser monitorados estão:
- compra de insumos
- aquisição de animais
- nutrição e ração
- manutenção de máquinas
- mão de obra
- combustível e logística
Sem esse controle, muitos produtores acreditam que a atividade é lucrativa apenas porque há entrada de dinheiro em determinados momentos do ano, como na venda de animais ou na colheita.
No entanto, quando todos os custos são contabilizados, o resultado pode ser diferente.
Outro ponto importante é separar as finanças pessoais das contas da fazenda, uma prática ainda pouco comum no meio rural.
Sem essa separação, torna-se difícil identificar se a propriedade gera lucro próprio ou se depende de recursos externos da família para se manter.
Gestão no campo: mudança de cultura
A adoção de planejamento, inventário e controle orçamentário representa uma mudança cultural para muitas propriedades rurais.
Durante décadas, a gestão no campo foi construída de forma empírica, baseada na experiência acumulada ao longo das gerações.
Embora esse conhecimento continue sendo valioso, o cenário atual do agronegócio exige cada vez mais organização, análise de dados e decisões estratégicas.
Quando esses três pilares passam a fazer parte da rotina da fazenda, a propriedade deixa de funcionar apenas como uma atividade produtiva e passa a operar como uma empresa rural, com metas, indicadores de desempenho e controle financeiro.
Curso aborda ferramentas de gestão aplicadas ao campo

Com quase quatro décadas dedicadas ao campo, Dr. Guilherme Vieira é hoje um dos principais nomes da gestão agropecuária no Brasil. Médico-veterinário de formação, ele iniciou sua carreira atuando diretamente na lida com pequenos e grandes animais, experiência que moldou sua visão prática e profunda sobre os desafios enfrentados pelos produtores rurais.
Ao longo dos anos, expandiu sua atuação para a produção animal e, posteriormente, para a vida acadêmica sem nunca se afastar do campo. Construiu uma trajetória sólida em ensino superior, com mestrado, doutorado, atuação como professor nos cursos de Administração em Agronegócios e Medicina Veterinária nas Faculdades UNIME, FTC, UNIFACS, UNEB -Campus Barreiras, no qual fez o projeto e implantou o curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal da Bahia e contribuições marcantes na formação de novos profissionais.
Produtores, pecuaristas, gestores e técnicos interessados em aprofundar conhecimentos em administração rural terão a oportunidade de participar do curso Gestão Agropecuária de Alta Performance, que contará com o retorno do Dr. Guilherme Vieira a Sergipe.
A formação tem caráter prático e apresenta ferramentas de planejamento, organização patrimonial e gestão financeira aplicadas à realidade das propriedades rurais.
A imersão acontece entre os dias 27 e 28 de março de forma presencial no IMEI Academy, localizado na Rua Fenelon Santos, nº172. Bairro Salgado Filho – Aracaju (SE).
