O que o Brasil pode aprender com o modelo italiano de cuidado aos idosos?

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O envelhecimento populacional é um fenômeno global que desafia os sistemas de saúde e assistência social. No Brasil, em pouco mais de duas décadas, a população com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. Esse crescimento vem exigindo novas formas de cuidado aos idosos que vão além do atendimento hospitalar. Por isso, para enfrentar esse cenário, olhar para modelos internacionais bem-sucedidos, como o da Itália, pode oferecer caminhos importantes de aprendizado e adaptação.

No Brasil, o cuidado aos idosos está inserido no Sistema Único de Saúde (SUS). A política nacional prevê ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e reabilitação, com destaque para a Estratégia de Saúde da Família, que é a principal porta de entrada do sistema. No entanto, embora haja avanços importantes, como programas de vacinação e acompanhamento em unidades básicas, ainda existem lacunas.

A falta de integração entre saúde e assistência social, a baixa cobertura de serviços especializados em geriatria e a dificuldade de acesso a cuidados de longa duração tornam o sistema fragmentado e, muitas vezes, insuficiente para atender às necessidades dessa população.

Em contrapartida, a Itália desenvolveu um modelo considerado referência mundial, principalmente pela integração entre saúde e assistência social. O país adota a chamada geriatria territorial, que tem como objetivo oferecer atendimento próximo à comunidade, priorizando a permanência do idoso em casa e no convívio social, em vez de centralizar o cuidado em hospitais. Esse modelo busca evitar internações desnecessárias e promover qualidade de vida.

Como a Itália organiza o atendimento aos idosos

Na prática, a Itália articula diferentes níveis de atenção. Além de hospitais e clínicas especializadas, há serviços comunitários que funcionam em rede. Essa organização envolve equipes multiprofissionais, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores e assistentes sociais, que trabalham de forma coordenada.

A integração permite não apenas o tratamento de doenças, mas também a prevenção, a reabilitação e o suporte emocional e social, fundamentais para o bem-estar da pessoa idosa.

Estratégias da Itália para capacitar equipes multiprofissionais

Outro ponto de destaque é o investimento contínuo em capacitação. Na Itália, a formação de equipes multiprofissionais é considerada essencial para o cuidado aos idosos. Programas de treinamento, cursos de atualização e especializações em geriatria e cuidados paliativos são incentivados pelo governo e pelas universidades.

Além disso, existe um esforço para integrar a prática clínica ao cuidado social, preparando profissionais para lidar com questões complexas do envelhecimento, como demências, fragilidade física e suporte familiar.

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Quer aprender mais sobre o modelo italiano?

Esse modelo de sucesso chega agora ao Brasil por meio de iniciativas como o curso que será ministrado em Aracaju pelo médico italiano Andrea Fabbo, um dos maiores especialistas da área. Nos dias 29 e 30 de agosto, Fabbo compartilhará sua experiência em geriatria territorial e cuidados paliativos, trazendo protocolos e práticas reconhecidos internacionalmente.

Diretor de serviços de geriatria e demências na região da Emilia-Romagna, referência mundial pela Organização Mundial da Saúde, ele mostrará como a Itália transformou o cuidado ao idoso em um sistema integrado e eficaz.

Ao participar do curso promovido pelo Instituto Mariano de Estudos e Inovação (IMEI), profissionais brasileiros terão a oportunidade de aprender diretamente com quem ajudou a implementar esse modelo na Europa.

Assim, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores e gestores poderão ampliar sua visão e aplicar estratégias que fortaleçam o atendimento à população idosa no Brasil.

Os interessados podem se inscrever e obter mais informações pelo WhatsApp (79) 99826-5200 ou através do link: https://imei.edu.br/curso-andreafabbo.