A intensificação das tensões com a guerra no Oriente Médio tem aumentado a instabilidade nos mercados internacionais e acendido um alerta para o agronegócio brasileiro. A alta do petróleo, possíveis mudanças nas rotas de transporte e as oscilações do câmbio podem elevar custos de produção e afetar as exportações do setor.
Como o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, conflitos e decisões políticas em outras regiões podem ter reflexos diretos no campo.
Por isso, especialistas apontam que uma gestão mais organizada da propriedade, com planejamento e controle de custos, se torna essencial para reduzir riscos e enfrentar períodos de instabilidade econômica.
Exportações e logística entram no radar do agro
O Oriente Médio é um mercado relevante para o agronegócio brasileiro. Em 2025, a região importou cerca de US$ 12,4 bilhões em produtos do agro do Brasil, o equivalente a 7,4% das exportações do setor. Entre os principais compradores estão Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Algumas cadeias produtivas têm forte dependência desse mercado. Segundo o Insper Agro Global, o Oriente Médio absorve 29% das exportações brasileiras de carne de frango, cerca de 31,5% do milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina, com 220 mil toneladas.

De acordo com o especialista em gestão rural Dr. Guilherme Vieira, a relação comercial entre o Brasil e a região é baseada principalmente na troca de commodities agrícolas por energia.
“O Brasil manda carne, principalmente carne de frango. Depois conquistou mercado com carne de boi e manda grãos também. Vai carne, grãos e vem petróleo”, explica.
Ele também alerta que o país ainda depende parcialmente de importações de petróleo vindas da região.
“O petróleo que a gente usa no Brasil não é todo nosso. Cerca de 40% a 50% é importado, principalmente dos países árabes”, afirma.
Em momentos de conflito, alterações nas rotas marítimas e aumento nos custos de transporte podem impactar diretamente essas vendas.
Petróleo e fertilizantes pressionam custos
A alta do petróleo também pode elevar os custos no campo, afetando combustíveis, transporte e operações agrícolas.
Além disso, o Oriente Médio é relevante no fornecimento de insumos. Em 2025, cerca de 15,6% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil vieram da região.
Para o especialista, a situação pode se agravar caso rotas estratégicas do comércio global sejam afetadas.
“Todos os navios que entram no Golfo Pérsico passam pelo Estreito de Ormuz. Se o Irã fechar aquilo ali, vai ser um grande problema. Vai afetar a conta do petróleo e também a conta da carne”, alerta.
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Diante de um ambiente econômico cada vez mais imprevisível, especialistas reforçam que a profissionalização da gestão rural é uma das principais ferramentas para proteger o negócio no campo.
Com esse objetivo, o IMEI Academy promove nos dias 27 e 28 de março, em Aracaju, a imersão presencial Gestão Agropecuária de Alta Performance, ministrada pelo médico-veterinário e especialista em produção animal e gestão rural Dr. Guilherme Vieira.
O curso é voltado a produtores rurais, pecuaristas, empresários do agro, técnicos e estudantes interessados em aprender a transformar a propriedade em uma empresa rural estruturada.

Entre os temas abordados estão planejamento da produção, controle de custos, análise de indicadores técnicos e elaboração do orçamento da fazenda.
Um dos principais diferenciais é uma oficina prática de quatro horas, em que os participantes desenvolvem o planejamento produtivo e o orçamento anual da propriedade.
“O produtor rural é um agente econômico que não está distante do cenário mundial. O mercado de commodities é global. Qualquer crise internacional afeta todo mundo”, conclui o especialista.
A imersão acontece entre os dias 27 e 28 de março de forma presencial no IMEI Academy, localizado na Rua Fenelon Santos, nº172. Bairro Salgado Filho – Aracaju (SE).
