Envelhecer com propósito é a forma como cada pessoa lida com o processo da maturidade, revelando muito sobre suas escolhas, valores e prioridades. E quando essa trajetória é contada por alguém cuja vida se confundiu com a história do rádio e da televisão, a conversa ganha outro peso.
No mais recente episódio do Podcast Saber Sênior: Trajetórias, produzido pela Rede Geronto em parceria com o Instituto Mariano de Estudos e Inovação (IMEI), o jornalista Rosalvo Nogueira compartilhou memórias, aprendizados e reflexões sobre como encarar a passagem do tempo.
Rosalvo soma mais de quatro décadas dedicadas à comunicação. Com passagens por rádios e emissoras de TV em Sergipe, ele viu de perto as mudanças na linguagem, na tecnologia e no público. Mas o que não mudou, segundo ele, é a necessidade de “debater isso”, referindo-se à urgência de falar sobre o envelhecimento de forma aberta e honesta.
Da juventude no rádio ao envelhecer com propósito
Primeiramente, o episódio para além da nostalgia, evidencia o rigor e o entusiasmo da época. Na ocasião, Rosalvo Nogueira e a locutora Luzinete Silva acabaram dividindo horário e salário. Um acordo que, segundo Rosalvo, demonstrava a sabedoria e a vontade coletiva de fazer rádio.
Desde então, percorreu emissoras como a Rádio Cultura, que ele define como “a seleção brasileira do rádio sergipano”. Lá, o profissionalismo e a busca por qualidade eram imprescindíveis. Mesmo com experiência, precisou refazer testes, algo que, com certa melancolia, diz ser raro hoje em dia.
Experiência, convivência e a lição do tempo
Para Rosalvo, o envelhecimento não é percebido apenas no espelho. Ele conta que a ficha só caiu quando precisou levantar a perna para sair do carro e se deu conta: “oxente, tô ficando velho”. Mas ao invés de se abater, buscou ressignificar esse momento, optando por cultivar otimismo e passar adiante a alegria de viver.
Essa escolha não veio por acaso. Ele recorda que a companheira o provocou com a pergunta: “É só isso? Vai parar quando morrer?”. A inquietação o fez repensar prioridades e valorizar o cuidado com a saúde, que considera o verdadeiro templo do espírito.
Desde então, manter a mente ativa se tornou parte essencial da rotina. Rosalvo destaca o hábito de ouvir rádios e acompanhar notícias, atividade que recomenda como exercício diário para preservar a lucidez.

Aprender com os outros e consigo mesmo
Ao longo da conversa, Rosalvo revelou uma filosofia pessoal: aprender com a experiência alheia é tão valioso quanto os próprios erros. Ele faz questão de se comunicar com os jovens, se permitindo ouvir, dialogar e, como brinca, se apresentar como “um coroa com espírito jovem”.
Foi também da convivência com os mais novos e da escuta atenta com a esposa que surgiram mudanças significativas em sua forma de enxergar o mundo.
Um episódio marcante ocorreu durante um antigo programa humorístico na rádio, quando uma piada infeliz gerou desconforto na família de um árbitro. Rosalvo pediu desculpas publicamente e reconheceu o erro. “Foi a primeira coragem de aceitar que eu errei”, conta.
A maturidade, afirma, foi moldada no cotidiano e pelo compromisso de ser exemplo para a filha. A vida pessoal e profissional se entrelaçam, e com isso vieram as renúncias, a importância do diálogo e a certeza de que “o amor é uma renúncia”.
Envelhecer com alegria e aprendizado constante
O jornalista não esconde o desconforto diante da finitude. “Que pena, vou ter que morrer. Tenho pena de mim mesmo porque um dia vou ter que parar”, diz com um misto de humor e sinceridade. Mas logo completa: “Enquanto você tem vida, quer que os outros tenham também”.
Por isso, ele valoriza o convívio entre gerações e acredita que o envelhecimento saudável depende dessa troca. Para ele, a integração com os jovens, inclusive nas novas tecnologias, é o que mantém o entusiasmo de seguir aprendendo e compartilhando. Um exemplo recente é o canal no YouTube que criou a convite do filho, voltado ao debate político e social.
Um novo sentido para a velhice
Rosalvo elogia a iniciativa do IMEI ao oferecer um curso de Direito exclusivo para pessoas 60+. Para ele, ações assim quebram o ciclo da estagnação. “A velhice toma conta quando a pessoa pensa que já fez tudo e não precisa mais”. Estudar, conviver e trocar experiências são caminhos para manter-se intelectualmente vivo.
Ele encerra deixando clara a importância da convivência respeitosa e do bom exemplo. Inspirado por referências como São Francisco de Assis e o Papa Francisco, Rosalvo afirma ter aprendido a não julgar e a valorizar o diálogo. Envelhecer, para ele, é principalmente um exercício de pensamento e de espiritualidade.
O Podcast Saber Sênior: Trajetórias reafirma seu propósito de abrir espaço para vozes que carregam história e humanidade. Conversas como essa ajudam a naturalizar o envelhecimento e a ressignificá-lo como tempo de aprendizado, presença e alegria.
Assista ao episódio completo “Como lidar com o envelhecimento?” no canal do IMEI no YouTube.
