Comissão realiza audiência para debater a promoção da qualidade de vida dos idosos

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A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados promoveu, na última terça-feira (2), uma audiência pública para discutir a promoção da qualidade de vida dos idosos nos próximos 45 anos.

O encontro reuniu especialistas, gestores públicos e representantes de organizações da sociedade civil para debater estratégias que assegurem um envelhecimento saudável e digno para os brasileiros.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023, totalizando mais de 33 milhões de pessoas. Projeções indicam que, até 2070, cerca de 37,8% da população brasileira será composta por idosos, o que corresponde a aproximadamente 75 milhões de pessoas.

Esse envelhecimento acelerado exige uma reflexão profunda sobre as políticas públicas voltadas para essa faixa etária.

Leia Mais: Educação e políticas públicas para pessoas 60+: o que ainda precisa mudar?

Desafios enfrentados pelos idosos

Durante a audiência, foram destacados os principais desafios enfrentados pelos idosos no Brasil, como o aumento das doenças crônicas, limitações funcionais e o risco de violência. Segundo dados do Ministério da Saúde, a população idosa é caracterizada por três tipos principais de problemas de saúde: doenças crônicas, problemas de saúde agudos decorrentes de causas externas e agravamento de condições crônicas.

Cristina Hoffmann, Consultora Nacional para o Envelhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ressaltou a necessidade de pensar o envelhecimento de forma integrada e com políticas de longo prazo.

Cristina Hoffmann. Foto: Billy Boss/ Câmara dos Deputados/Agência Câmara de Notícias

“Isso é pensar o envelhecimento de todos nós, enquanto um processo que faz parte do curso da vida e é afetado por diferentes dimensões e determinantes sociais que implicam nesse processo único e, assim, chegarmos a estratégias de longo prazo”, afirmou.

Abandono da Pessoa Idosa

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados também realizou audiência pública para discutir o alarmante aumento do abandono de pessoas idosas no Brasil. O evento aconteceu na última quarta-feira (22), às 15 horas, no plenário 12.

O debate foi solicitado pelo deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR), que expressou profunda preocupação com os dados revelados pelo Censo Demográfico de 2022. O Brasil conta atualmente com 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, e segundo projeções do IBGE, a partir de 2039, haverá mais idosos do que crianças no país.

Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR). Foto: Câmara dos Deputados.

Foco em políticas públicas

Os especialistas presentes na audiência enfatizaram a importância de políticas públicas integradas que promovam o envelhecimento saudável, como a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), em fase de atualização, que busca aprimorar o atendimento das pessoas a partir dos 60 anos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante a audiência, o Ministério da Saúde também firmou uma parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e abriu uma pesquisa para que essa população possa indicar os principais desafios enfrentados no serviço público de saúde.

A audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados evidenciou a urgência de ações concretas para promover a qualidade de vida dos idosos no Brasil.

A integração de políticas públicas, a valorização da pessoa idosa e o acesso a serviços de saúde adequados são essenciais para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional. É necessário que todos os setores da sociedade se unam para construir um futuro mais inclusivo e digno para os idosos brasileiros.